Gabriela Relvas - 1983

Preciso de um bom pequeno almoço. Não saio de casa de barriga vazia. Sou um bom prato ao almoço e ao jantar. Comer é de facto algo que por si só me deixa feliz. Sou de gostos simples.  

Às vezes acho-me velha. Carrancuda. E no segundo a seguir dou uma forte gargalhada e pareço uma criança a saltar de nenúfar em nenúfar. Tenho esta coisa de me reinventar sem dar por isso.

Gosto muito de escrever. Como sou um bicho simples um tanto difícil de entender, a palavra alivia-me.

E agora vem o formalismo, aquele que a sociedade impõe para a credibilidade das coisas!

Licenciei-me em Comunicação em 2005. Anos maravilhosos! Graças a eles fui parar a Coimbra, caso contrário, em Esmoriz, as portas não se abriam depois da meia noite e eu não cozinhava para mim até hoje. No 3º ano “fugi” 6 meses para Groningen e vim com um canudo de Relações Internacionais no bolso. Além do canudo, aprendi imensa coisa. Sobre a vida também. Ainda fico impressionada como estamos a anos luz de distância de um método de ensino que aposte fortemente na prática. Mas foi no 4º ano que fui parar a Lisboa. O meu Estágio Curricular aconteceu na Endemol e foi ali que me deu tamanha urticária. Nada de errado com a Endemol, eu é que não queria ser assistente de produção. Começo então a frequentar o curso Intensivo de Formação de Atores, à noite. Que decisão certa, que ano de encontro comigo. No meio, trabalhava numa loja. As contas tinham que ser pagas. No depois, seguiram-se vários workshops de Teatro e Televisão. Não vale a pena inumerá-los. São muitos e não cabem nas mãos. Acreditem. Tenho esta curiosidade por aprender que me assalta até hoje.

Durante e no depois do depois, fiz Teatro, Musicais, Revista, Séries Televisivas e Novelas (passei pela RTP 2, RTP 1, SIC e TVI). Fui parte integrante da nomeada para Emmy: Belmonte (TVI). Orgulho naquele grupo! Ainda tive uma banda e um disco editado! Apresentei vários programas. Alguns: Quem Quer Dinheiro na TV Record (programa de jogos interativos e em direto), Beat Generation na TVI 24 (um magazine cultural) e o Giro na TV Record (programa de turismo e lazer). Trabalhei muito como jornalista freelancer e fui pivot e guionista na Direção de Comunicação da EDP. Sem sombra para dúvidas, a melhor televisão corporativa do país. Escrevi e falei de economia, anunciei a bolsa, dei os “bons dias”, apresentei agendas culturais, fiz grandes entrevistas sobre o mundo dos negócios e abracei também o entretenimento. Uma aprendizagem que fica para a vida toda.

E, no entretanto, esqueci-me de falar no meu pequeno grande orgulho que nasceu em 2015. Tem o nome de A Vida em Play (avidaemplay.pt) e costumo chamar-lhe de site, só para não ser mais um blogue. Tinha esta necessidade de contar histórias e arranjei ali a solução para os meus devaneios. Conto-as por palavras, empacotadas numa crónica. Às vezes conto-as em vídeo, visito lugares e falo com as pessoas que lá moram, sem marcação prévia, sem preparação, sozinha. No computador, sem formação em edição de imagem, mas editando o filme eu mesma, à moda de quem ama por gosto e não cansa. Senti esta necessidade depois de tanto me faltar o reportar com verdade. Depois de tanto me faltar informação não manipulada e me apetecer ser mais eu que nunca. 

E a mim, apetece-me ser, antes de qualquer outra coisa, atriz. Um apetece-me muito conquistado e, muito suado. Virou vício e forma de vida. Não há volta a dar.

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